Escutei essa frase um certo tempo atrás em uma música do Rapper Marcelo D2. Recordo-me bem mais ou menos do momento em que a escutei. Foi na praia de Salinas, um município que fica no Nordeste do Pará, que possui praias maravilhosas. Mas o que isso tem a ver?
Lembro que neste dia, indo para este municipio de manhã cedo com dois amigos em uma viagem que duraria 3h, decidimos que cada um teria o direito de escolher uma hora de música.
Na primeira hora, um amigo meu colocou uma seleção de musicas do The Killers, Radiohead e Oasis. Até ai tudo bem, curti bastante. O segundo foi eu. No dia anterior, tinha comprado um cd do Noel Rosa e resolvi coloca-lo. Foi um desastre para mim. Tive que escutar a insanidade de que Noel Rosa era pior que bosta, que não tinha musicalidade e etc. De tanto encherem, troquei por uma seleção de musicas do Chico Buarque e a reação foi a mesma.
Isso tudo me levou a fazer uma pergunta a mim. "O que será que está acontecendo com as mentes jovens com relação à musica?"
Será que eu sou um velho no quesito "gosto musical", será que só se dá valor hoje em dia à musica cheia de efeitos, que na maioria das vezes não é feita com o coração. Como é que alguem pode chamar de bosta uma musica como "um gago apaixonado" de Noel Rosa, ou "construção" do Chico Buarque? Porque muitos jovens não dão o devido valor aqueles que transformaram a Musica Popular Brasileira durante as decadas? Artistas como Ze Ketti, Cartola, Carlos Cachaça, Ismael Silva, Ataulfo Alves, Wilson Batista, o próprio Noel Rosa... aqueles inventores da musica do morro, os precursores de todos os movimentos musicais tipicamente brasileiros que surgiriam no final da decada de 40 e decadas seguintes ate chegarmos na decada de 90, que é a decada perdida para a musica popular brasileira. Gostaria apenas que as pessoas refletissem um pouco sobre isso. Podem até não gostar, mas devem respeitar "os verdadeirtos arquitetos da música brasileira".
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
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Cara, isso acontece pq tem muita gente que valoriza a "imagem", ou o "colorido" da coisa... A evolução da produção fez as gravações atingirem niveis de qualidade altissimos, deixando essas músicas gravadas antigamente muito estranhas de ouvir. O mesmo que vc sitou com esses caras, ocorre com grandes musicos de blues, como o Robert Johnson por exemplo...
ResponderExcluirCompare isso ai com video games: Um amigo meu começo a interessar por RPGs e eu recomendei que jogasse FF10. Ele curtiu. Falei pra ele jogar o 7, e o cara teve grande resistência (pq os graficos eram piores) e só depois de muito tempo começou a notar que esse era bem melhor que o outro... Falei pra jogar o 6 (que é o um dos melhores RPGs da história) e o cara ñ conseguiu jogar pq disse que o gráfico era muito ruim... Ou seja, o visual superficial passou a ser mais valorizado do que o conteudo do jogo em si.
Com música acontece isso. Essas gravações antigas são estranhas aos ouvidos, e tem gente que precisa ouvir MUITO e com a mente aberta pra perceber como é bom... Depois de ouvir Adoniram Barbosa por um tempo eu comecei a adorar as musicas do cara! Mas demorei pra notar a verdade beleza das músicas, escondidas atrás da produção precária...
Se o cara escuta uma vez ou outra e nunca mais, geralmente vai achar uma merda mesmo!
E passa uns mp3 desses caras ai pra mim, que eu tava querendo mesmo ouvir uns MPBs antigos pra variar...
Não gostar de Construção de Chico Buarque é válido, mas chamá-la de bosta é muita babaquice. A música é bem arquitetada, arranjada, mixada, resumindo, perfeita. A ideia de usar rimas com palavras proparoxítonas foi bem original. Acho essa música uma das mais fodas.
ResponderExcluirMeu gosto musical também é bem antigo, prefiro muito aquele tempo dourado dos festivais da rede Record, onde vários artistas que construíram a música popular brasileira e combateram o golpe da ditadura militar com CULTURA cantavam emocionalmente e eram aplaudidos de pé. Artistas como Geraldo Vandré, Edu Lobo, Chico, dentre outros, construíram e arquitetaram o que chamamos de MPB, e muitos fizeram canções censuradas, foram exilados, mas ainda assim permaneceram de cabeça erguida, e são esses que merecem hoje todo o nosso respeito e consagração.
Ouvir músicas como Roda Viva, Ponteio, Disparada, Pra não dizer que não falei das flores, Aroeira, etc., me emocionam e me arrepiam até hoje.